| Histórico de Criação e Antecedentes legais.
As propostas de proteção ambiental na região são antigas. Em 1876, André Rebouças, engenheiro abolicionista, sugere a criação do Parque Nacional de Sete Quedas, um maravilhoso complexo de Cataratas.
A partir de 1991 várias as propostas para a criação de uma unidade de conservação naquela região, culminando com o Decreto Estadual nº 4.464/94 que estabeleceu a Estação Ecológica de Ilha Grande, com área de 28.368,00 ha.
O caminho para a proteção das ilhas, várzeas e ecossistemas associados do Rio Paraná passou pela iniciativa dos municípios paranaenses de Vila Alta (atual Alto Paraíso); São Jorge do Patrocínio, Altônia, Icaraíma, e Guaíra que, nessa ordem, a partir de 1994, criaram as Áreas de Proteção Ambiental (APA) Municipais. Estas se integram a partir da elaboração e implementação, em campo, do Zoneamento Ecológico Econômico Intermunicipal conjunto.
Contando com o forte estímulo do ICMS Ecológico, estes municípios desenvolveram um modelo de gestão participativa, com a criação do Consórcio Intermunicipal para a Conservação do Remanescente do Rio Paraná e Áreas de Influência (CORIPA).
O processo de criação do Parque foi desencadeado pelos impactos dos grandes empreendimentos hidrelétricos na bacia do Rio Paraná, sobretudo a perda do parque Nacional de Sete Quedas em 1982 e a existência de projeto de construção da Usina Hidrelétrica de Ilha Grande, que demandaram a presença do governo federal para consolidar os esforços municipais e estaduais, integrando – os e possibilitando sua criação.
Em 1997, resgatando estudos anteriores da Diretoria de Ecossistemas, do instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA, a Superintendência paranaense designou um Grupo de Trabalho Interinstitucional (IBAMA, IAP, CORIPA) para estudar e propor a criação de unidades de conservação federais na região.
Como resultado dos estudos realizados, o Grupo de Trabalho indicou a criação do Parque Nacional de Ilha Grande, com 78.875,00 ha, e a Área de Proteção Ambiental das Ilhas e Várzeas do Rio Paraná, com 1.003.059,00 ha, que foram efetivados por Decretos presidenciais, assinados em 30 de setembro de 1997, e publicados no Diário Oficial da União nº 189, em 01 de outubro de 1997.
Patrimônio Natural
Clima
O clima da região do PNIG caracteriza – se por temperaturas médias anuais entre 22°C e 24°C, com chuvas distribuídas irregularmente ao longo do ano e com umidades relativas entre 75% e 90%, e nos meses mais secos e mais úmidos, respectivamente.
Geologia e geomorfologia
A história da formação da Bacia do Paraná remota a 400 milhões de anos quando, durante milhares de anos, atividades vulcânicas derramaram bilhões de toneladas de lava que se solidificaram em rocha basáltica sobre a superfície da região. Devido ao peso desde gigantesco derrame de lavas, apontando como o maior do planeta e conhecido como “Derrame de Trapp”, a superfície do continente afundou pouco a pouco e formou uma gigantesca bacia para dentro da qual passaram a correr os rios pré – históricos. Durante outros 170 milhões de anos, foram acumuladas dentro desta bacia a areias provenientes da erosão das rochas e dos solos pelas chuvas, gelos e ventos. Num período posterior, mais seco, formou – se um grande deserto nesta região. Estas areias foram transformadas em um tipo de rocha sedimentar, conhecida como arenito, que hoje reveste todo o noroeste do Estado do Paraná, designado de Arenito Caiuá.
O Parque Nacional de Ilha Grande é formado por uma grande e larga planície sobre a qual o rio Paraná criou, ao longo de oito mil anos, inúmeros canais e ilhas, que se modificaram ate os dias atuais em um processo contínuo e natural de erosão, transporte e deposição de sedimentos. Este processo tem relações muito estreitas com as cheias e secas do rio Paraná, que cria novas ilhas, destrói ou modifica a forma de outras tantas e abre e fecha canais entre e dentro delas. A estas formas de canais, que se multiplicam e se unem novamente em meio as ilhas, denominam – se Padrão Anastomosado.
Uma das mais belas feições geológicas existentes no Arenito Caiuá, dentro do Parque Nacional de Ilha Grande, são os paredões verticais em alguns pontos de suas margens, tais como o Paredão das Araras e o Paredão da Mata do Bugio.
Os solos das Ilhas são todos derivados da deposição de areias e argilas pela correnteza do rio Paraná, provenientes da erosão natural de rochas e solos de sua imensa bacia. Depois que o ser humano eliminou quase todas as florestas, campos e cerrados que protegiam a terra, o volume de sedimentos aumentou muito e hoje coloca em risco a manutenção deste processo. O controle do regime natural de cheias e vazantes do rio Paraná pelas barragens das hidrelétricas situadas rio acima, também tem um papel negativo sobre este processo.
Vegetação
O Parque está localizado no bioma Mata Atlântica em uma região onde o tipo de floresta é denominado tecnicamente Floresta Estacional Semidecidual. As características deste tipo de floresta estão relacionadas, principalmente, com a ocorrência de um clima com duas estações bem definidas na região: uma chuvosa e quente e outra seca e fria. Estas variações climáticas são responsáveis por fazer com que 20% a 50% das arvores mais altas da floresta percam suas folhas durante o inverno, quando podem ver muitas arvores grandes “aparentemente” secas.
Dentro desta grande região por onde se estendia a Floresta Estacional, há outros tipos de ambientes naturais ou ecossistemas diferentes e muito menores em extensão do que a floresta, os quais são denominados “ecossistemas associados”, conhecidos como “Formações Pioneiras com Influência Flúvio – Lacustre”. As plantas que vivem nestes ecossistemas alagáveis ou alagados da planície de inundação do rio Paraná estão adaptadas ao encharcamento permanente ou semi – permanente do solo. Além do ecossistema florestal herbáceo – arbustivo, também estão presentes no Parque, um tipo de vegetação muito limitado a locais onde existam paredões rochosos verticais ao longo das margens dos rios Paraná e seus afluentes, denominada “Vegetação Rupícula” ou “Vegetação das Rochas”. Este tipo de vegetação é formado por samambaias, orquídeas, cactos, pequenas ervas e arbustos, que se fixam nas saliências e fraturas das rochas e vivem sobre o abismo. Por estar em locais de difícil acesso, a flora desses locais ainda é pouco estudada. Os pontos mais característicos deste tipo de vegetação no Parque são os paredões das Araras, do Bugio, do córrego da viúva, dos rios Maracaizinho, Pirajuí e Piquiri.
Outro grupo de plantas muito importante e bem representado dentro do PNIG é o das Macrófitas (macro=grande; fito=planta) aquáticas que são espécies vegetais visíveis a olho nu e que fazem fotossíntese permanentemente, podendo ser flutuantes, submersas ou parcialmente submersas. A importância deste grupo está relacionada com as funções de ciclagem de nutrientes nas águas e suas relações com a fauna aquática, para a qual serve de abrigo e alimento.
Os trabalhos de pesquisa para elaboração do plano de manejo do Parque encontraram 505 espécies de plantas, o que corresponde a quase 73% do numero de espécies de plantas já encontradas em outros estudos ao longo de toda a planície alagável do Rio Paraná.
Fauna
O Parque Nacional de Ilha Grande está em uma área de contato entre os biomas Mata Atlântica (lato sensu), Cerrado, Pantanal e Chago o que faz abrigar espécies características de cada um destes biomas, como o Bugio e a cuíca-quatro-olhos, endêmicos da Floresta Atlântica; o Lobo-Guará, o Gato-palheiro e o Tamanduá-Bandeira, ambos de áreas abertas de campos e cerrados; e o Cervo-do-Pantanal, típico das planícies de inundação dos grandes rios da América do Sul, especialmente da grande planície do Pantanal.
Foram encontradas no PNIG 98 espécies de peixes, 17 espécies de anfíbios anuros, 49 espécies de répteis, 423 espécies de aves e 46 espécies de mamíferos.
Estes números ainda podem aumentar na medida em que novos registros forem agregados. Entre estas espécies de animais, muitas delas merecem especial destaque, pois são raras, ameaçadas de extinção, endêmicas ou migradoras.
O grupo dos peixes talvez seja o que mais se depende e se beneficia da existência do PNIG, já que utiliza suas áreas para viver parte de sua vida, quer seja pra reprodução, desenvolvimento ou alimentação. Cientistas já registraram 170 espécies de peixes existentes entre a foz do Rio Paranapanema e o lago de Itaipu, entre espécies residentes (que vivem em uma determinada região durante toda sua vida) e migratórias (que utilizam a planície apenas durante parte do seu ciclo de vida). Entre as especies destacam-se o Dourado, o Pintado, o Pacu e o Jaú, sendo este o maior peixe da bacia.
Entre os repteis e quelônios, merecem destaque o Jacaré-do-papo-amarelo, a Muçurana, a Cobra-cega, o único registro de Jibóia para o estado do Paraná, a Cobra-cipó e o Cágado. Por estar localizado em uma região de transição entre vegetação das Savanas ou Cerrado e da Floresta Estacional Semidecidual, a população de aves do parque é formada por espécies que ocorrem em cada um desses biomas, alem da presença de aves aquáticas migradoras. As 423 espécies de aves encontradas no Parque representam 25% de todas as aves brasileiras e 58% de todas as aves paranaenses. Além disto, 32 espécies são restritas ao bioma Mata Atlântica, 6 exclusivas do bioma Cerrado, 33 exclusivas da região onde está situado o Parque Nacional , cerca de 22 são novos registros para a região e para os estados de Mato Grosso do Sul e Paraná, 22 são espécies migrantes que utilizam o Parque para descanso, alimentação ou reprodução e 49 estão presentes em listas de espécies ameaçadas.
Entre os mamíferos do Parque, 13 são considerados sob algum grau de ameaça de extinção, dos quais 6 são carnívoros. Entre elas destacam-se a Ariranha, que era considerada extinta no Estado do Paraná, mas foi recentemente registrada no Parque. Além disto, o Parque abriga uma das maiores populações do Cervo-do-Pantanal, que tem nesta área a sua distribuição mais austral.
Dos animais constatados no PNIG, os que merecem especial atenção são aqueles sob ameaça de extinção: Cervo-do-Pantanal, Onça, Anta, Tamanduá-Bandeira, Bugio, Lontra, Ariranha, Jaguatirica, Gato-Palheiro, Puma, Queixada, Paca, Tapiti e Lobo-Guará.
Patrimônio Histórico Cultural
A grande região onde atualmente está o parque Nacional de Ilha Grande estava, na época do descobrimento do Brasil, sob domínio dos índios Guarani, mas é muito possível que outras etnias utilizassem a região, como os Kaingang, os Querandi, os Charrua e os Chaná-Timbu. A história dos povos da área, mais diretamente relacionada ao rio Paraná e suas ilhas, indica também outros grupos indígenas presentes na região, associados às famílias lingüísticas Tupi-Guarani, Jê, Aruak e Guaycuru, e ainda outros falantes isolados ou de filiação incerta.
A presença européia na região iniciou-se por volta de 1512, quando o navegador espanhol Juan Díaz de Solís supostamente alcançou a confluência dos rios Paraná e Paraguai, subindo pelo rio Paraná desde sua foz no Mar Del Plata.
Em 1554, o governador espanhol do Rio da Prata, Domingos Martinez de Irala, decidiu povoar a região do atual Parque Nacional, a que denominou província de Guairá e mandou Garcia Rodriguez de Vergara estabelecer às margens do Rio Paraná a primeira fundação espanhola do Guairá ONTIVEROS. Dois anos depois, Rui Diaz de Mergarejo, fundou, na foz do rio Piquiri com o rio Paraná, a comunidade de CIUDAD REAL DEL GUAHYRÁ, no local onde existia a aldeia do cacique Guahyrá.
As principais atividades praticadas eram a cana-de-açúcar, banana, frutas cítricas e tabaco. Também criavam porcos, galinhas, ovelhas e cavalos. Posteriormente, a extração da erva-mate tornou-se a principal atividade econômica da vila.
Em Ciudad Real existiam casas, oficinas, olarias, colégio, cemitério e igreja entre outras edificações, todas construídas com a técnica da taipa de pilão (barro socado), organizadas em quadras por largas ruas e praças. Estiveram presentes em Ciudad Real os padres jesuítas que influenciaram os índios a estenderem o domínio do homem branco cada vez mais em direção ao interior do atual estado do Paraná, criando as reduções jesuíticas, até serem expulsos pelos bandeirantes portugueses que vinham de São Paulo entre 1626 e 1632. Estima-se que cerca de 70.000 índios viviam nas reduções jesuíticas nesta época, dos quais 12.000 fugiram para o Sul e, destes somente 40.000 sobreviveram fundando novas reduções.
Marcas desta rica história regional persistem ao longo do rio Paraná e de alguns de seus afluentes sob a forma de inúmeros sítios arqueológicos, dos quais já foram identificados e registrados 53. É muito provável que este número seja ainda pequeno, se considerada a intensidade da presença humana na região, e espera-se que novas pesquisas contribuam para ampliá-lo.
O maior e mais famoso sítio arqueológico da região são as ruínas da Ciudad Real Del Guahyrá,
Situada na margem esquerda da foz do rio Piquiri.
Aspectos sociais
A população atual dos dez municípios do entorno do PNIG é de 167.104 habitantes, dos quais 78.886 estão nos seis municípios paranaenses e 88.218 nos quatro municípios do Mato grosso do Sul, porém, esta população já foi maior em décadas anteriores . O declínio da cafeicultura, entre 1970 e 2000, trouxe a redução da população dos municípios do entorno do Parque , principalmente paranaenses, devido à substituição daquela lavoura, que empregava elevado contingente de mão-de-obra, pelo cultivo mecanizado da soja e pela pecuária extensiva. Houve um esvaziamento das zonas rurais e um aumento vertinoso da população urbana. Do lado do mato grosso do Sul a população quadruplicou no mesmo período.
Com o passar dos anos, a população da região esta mais amadurecida quando comparada com 1980, com menos jovens e crianças e mais adultos e idosos.
O índice de desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) serve para comparar as condições de vida das populações de um município, região, estado ou país e quando mais próximos de 1,0 melhores são as condições. Os principais indicadores sociais dos municípios do entorno do PNIG utilizados para a formação deste índice são as taxas de escolaridade, mortalidade, fecundidade, indicadores de renda, pobreza e desigualdade social, esperança de vida ao nascer, acesso aos serviços básicos, acesso aos bens de consumo, indicadores de vulnerabilidade familiar (gravidez na adolescência, por exemplo). Os IDH-M de todos os municípios do entorno do Parque são superiores a 0, 704 e colocam a região em um nível médio de desenvolvimento humano. O IDH do Paraná é 0, 787 e o do mato Grosso do Sul é 0,778.
Atividades econômicas
Nos anos 40 a 80, a floresta nativa da região foi devastada para dar lugar ao cultivo de café. Com a queda dos preços do café e com a perda de produtividade dos solos da região, as lavouras foram substituídas por enormes pastagens, inclusive nas várzeas onde esta o Parque Nacional Ilha Grande. Atualmente o mesmo processo ocorre com a soja, o trigo e a cana-de-açúcar, valorizados no mercado internacional e de bicombustíveis, o que compensa os investimentos em tecnologia de produção e insumos para compensar estas limitações dos solos. Entre os tipos de lavouras existentes no entorno do PNIG, as permanentes são menos impactantes aos solos e aos rios, já que nunca expõem o solo totalmente à chuva e aos ventos. Entre elas destacam-se a fruticultura, o café e o chá-da-índia, predominantes em território paranaense. Nas lavouras temporárias os produtos principais em área plantada são milho, a soja, a cana-de-açúcar e a mandioca. Enquanto a cana-de-açúcar é lavoura predominante no Mato Grosso do Sul, as demais compreendem mais da metade da área plantada no Paraná. Alem destas culturas também se produz trigo, feijão, arroz, algodão e amendoim. A produção animal predominante é o gado bovino, de suínos, eqüinos, ovinos e aves, incluindo a sericicultura e a apicultura. A maior concentração de gado de gado bovino ocorre no Mato Grosso do Sul, que possui mais de 60% do rebanho. O Paraná, por sua vez, é um forte produtor de aves, suínos, bicho-da-seda e apicultura.
A extração de areia ao longo dos grandes rios, principalmente o rio Paraná no entorno imediato do PNIG, é uma grande atividade importante na economia regional, no entanto, uma parte significativa de empresas atuava irregularmente na época de criação do Parque. Graças a um esforço conjunto entre IBAMA e IAP (Instituto Ambiental do Paraná) a maioria delas foi regularizada e é monitorada pelos órgãos ambientais. Os principais portos de areia estão nos municípios de Guairá, Altônia, Icaraíma e Alto paraíso, no estado do Paraná. Na margem sul-mato-grossense há dois portos em processo de licenciamento ambiental.
Infra-estrutura regional
A região onde esta inserido o Parque Nacional de Ilha Grande é formada por 11 municípios. Sete deles paranaenses e quatro sul-mato-grossense, sendo que os maiores são Guaíra e Naviraí, nos estados do Paraná e do Mato Grosso do Sul, respectivamente. Em todos eles estão disponíveis infra-estruturas básicas de comercio, prestação de serviços, saúde, hotelaria e alimentação, ainda que em alguns estes sejam muito simples. As estradas de acesso à região e entre os municípios lindeiros são asfaltadas e em condições razoáveis e boas de trafegabilidade. Aeroportos estão disponíveis em Guaíra e Naviraí e operam somente visualmente e para pequenas aeronaves.
Programas e Obras regionais
Entre os principais programas e obras regionais previstas ou em operação no entorno do PNIG, estão a hidrovia Paraná –Tietê, a usina hidrelétrica Itaipu Binacional, cujo reservatório banha o extremo sul do Parque e o Plano de Desenvolvimento Regional Sul - Fronteira, estado do Mato Grosso do Sul.
Programas ambientais e regionais
A região do PNIG é contemplada por programas ambientais estaduais e nacionais. O principal programa estadual em que esta inserida a região é o programa Paraná Biodiversidade que busca desenvolver ações de melhoria ambiental em três grandes regiões deste estado, consideradas prioritárias para o estabelecimento de corredores biológicos. Em um nível regional e internacional, foi proposta a criação do corredor de biodiversidade entre o Parque Estadual Morro do Diabo, no estado de São Paulo, e os parques Nacionais Iguaçu, no Brasil, e Del Iguazú, na Argentina, ao longo do reservatório da Itaipu Binacional e do Parque Nacional de Ilha Grande.
Parque e entorno: Problemas e alternativas.
O noroeste do Paraná e o sudoeste do Mato Grosso do Sul, onde esta inserido o Parque , estão entre as regiões brasileiras mais intensamente alteradas a partir da metade do século passado. A exuberante Floresta Estacional Semidecidual, que autrora dominava a paisagem, deu lugar a lavouras de café e, num segundo momento, a pastagens e outras culturas anuais. Além disto, o recente barramento do rio Paraná peã Usina hidrelétrica do porto Primavera suprimiu cerca de 40% das várzeas do rio Paraná. Conseqüentemente, uma estimável diversidade biológica foi perdida e continua se esvaindo ao longo deste curto período de tempo. Além da degradação pretérita, estudos atuais sobre o Parque e seu entorno demonstram uma serie de atividades desenvolvidas que não condizem os objetivos de um Parque, ameaçando a conservação da natureza e, evidentemente, a qualidade de vida da população humana local. Dentre os principais problemas pode-se citar:
Incêndios: alteram a disponibilidade de recursos, destroem abrigos de proteção e matam animais queimados ou por intoxicação pela fumaça. O fogo afeta os animais tanto diretamente, destruindo ninhos, ovos, filhotes e adultos, como indiretamente, mesmo que temporariamente, suprindo e empobrecendo ambientes. Além disto, devem ser considerados os elevados custos para combatê-los e a poluição regional que este causa.
Apicultura: estima-se que dentro da área do PNIG, existam cerca de 10.000 caixas de abelha, segundo informações dos apicultores do Paraná. A presença de colméias no Parque causa o deslocamento da entomofauna (insetos) nativa, o ataque de animais silvestres e pessoas (constatada uma morte e vários acidentes de brigadas de incêndio com Apis Melifera); enxameamento e ocupação de ocos de arvores importantes para a fauna local, competição da abelha-africanizada Apis Melifera com espécies nativas, a alteração do ambiente para sua criação, bem como em função da polinização preferencial de determinadas espécies; a utilização de fumigador (para controle das colméias pela fumaça) que pode causar acidentalmente incêndios no local. Por outro lado, a atividade tem certa importância na geração de renda complementar para os moradores locais, sendo crescente sua importância no contexto econômico regional.
Atropelamento de fauna silvestre: o atropelamento de animais pode ser considerado um estresse de grande importância e concentrado na rodovia BR-487, complexo de pontes Luiz Eduardo Magalhães onde veículos trafegam em alta velocidade pela rodovia sem qualquer controle e em qualquer horário. Normalmente os acidentes ocorrem a noite quando a luz dos faróis ofusca os animais e estes perdem a noção de direção.
Presença de gado nas ilhas e nas várzeas do continente: ocasiona a compactação do solo, com conseqüente alteração drenagem e regime hídrico, causando seu empobrecimento. Complete por espaço e alimento com espécies da fauna nativa, em especial os herbívoros, alem de constituir-se em um aporte de doenças para esses animais.
Drenagem das várzeas: as drenagens alteram todo o regime hídrico local e, quando muito extensos, a alteração ocorre em nível regional. O rebaixamento do nível da água nos solos orgânicos, por exemplo, causa subsidência (rebaixamento) da camada orgânica, variável conforme profundidade, que causa desestabilização de arvores e alteração nas comunidades dependentes de solos saturados.
Contaminação do solo e água: A utilização de produtos químicos (herbicidas, fertilizantes entre outros) tem como principais conseqüências a eliminação de populações de insetos polinizadores e alteração na dinâmica das comunidades naturais, alteração da qualidade da água dos rios e lagos pelo carreamento de substancias químicas aplicadas sobre áreas de cultivo; interferência na cadeia alimentar do meio aquático, mutações genéticas e riscos à sobrevivência de espécies dentro do Parque Nacional de Ilha Grande. Outra fonte de poluição das águas é a presença de empresas que desenvolveram ações potencialmente poluentes e que está situada a montante do Parque no Mato Grosso do Sul: fecularias, curtumes, frigoríficos, indústrias em geral (problemas com corantes) e usina sucro-alcooleiras, entre outras.
Caça, captura e pesca predatória: grandes animais como o cervo-do-pantanal e capivaras, cuja população está diminuindo sensivelmente, são alvos consagrados da caça. Tatus, pacas e aves em geral também não escapam da mira de caçadores “desportistas”. Nas lagoas interiores utilizadas pelos peixes para reprodução e crescimento, a presença humana é constante e irresponsável, pois não poupa jovens, nem o período reprodutivo das espécies.
Supressão das matas ciliares: a eliminação das florestas ciliares do parque Nacional de Ilha Grande compromete a sobrevivência de espécies animais, terrestres ou aquáticas, que dependem do ambiente florestal para abrigo e alimentação. Além disto, expõe à erosão os solos e as margens dos rios, que causam assoreamento e a formação de grandes voçorocas. Soma-se a este dano, a perda de sítios arqueológicos nesses locais.
Mineração: na região do parque a extração de areia do rio Paraná e da argila da planície de inundação deste rio são atividades econômicas que também provocam impactos ambientais relevantes. A extração areia do leito dos rios através de bombas de sucção instaladas sobre embarcações que descarregam o material periodicamente em portos situados nas margens do rio. Já a extração da argila é realizada escovando-se grandes cavas em áreas de várzea, as quais são abandonadas quando se esgota a argila explorada.
Exploração de Ginseng: outra atividade econômica de alto impacto negativo verificado na região do Parque Nacional de Ilha Grande, é reduzida desde 2001, é a exploração do ginseng brasileiro. Suspeita-se que possa haver uma relação entre a coleta desta planta e os incêndios provocados, uma vez que a supressão de gramíneas facilita a retirada da planta. A extração da planta traz prejuízos ambientais, através da queimada representa um perigo de extinção de espécies e, ao mesmo tempo, não oferece retorno financeiro para a região, já que é feita à margem da lei. Atualmente, há indícios de que esta atividade tenha diminuído, após ações fiscalizatórias na região.
Introdução de espécies exóticas: as atividades de “peixamento”, realizadas na sua maior parte por concessionárias de energia, foram responsáveis pela introdução de mais de vinte espécies de peixes na bacia do rio Paraná, das quais a Curvina e o Tucunaré são os que vêm causando prejuízos econômicos à pesca regional e a biodiversidade da bacia. Além dos peixes contatou-se a presença na região de dois moluscos, o Curbíola e o Mexilhão-dourado. A introdução de espécies exóticas pode causar a redução ou extinção de populações locais, devido à competição por alimentação, abrigo e à disseminação de parasitos. A extinção das espécies ou a alteração da sua composição nos ecossistemas pode causar perdas irreversíveis de recursos genéticos, do potencial de fontes de alimentação e controle de doenças e a desestabilização dos ecossistemas.
Lixo: as atividades de pesca e passeios de barco ao longo do rio Paraná dão origem ao lixo encontrado nas águas ou nas margens das ilhas do Parque. O problema do lixo pode ser verificado ao longo de todo o rio Paraná, porém, concentram-se em áreas de lazer, pontos de pesca, pequenos portos, casas de veraneio ou de moradores permanentes e ao longo da rodovia PR-082, que corta a ilha Bandeirantes.
As melhores formas de evitar danos sobre o patrimônio natural e histórico-cultural que restaram na região e que são protegidos pelo PNIG são a educação e a sensibilização da população sobre a importância do Parque em um nível global; planejar e normatizar o uso da terra e dos recursos naturais e estabelecendo áreas permitidas e com as restrições para cada atividade econômica; desenvolver uma economia regional que se beneficie da presença do PNIG e traga resultados positivos à população e os ambientes naturais, como o ecoturismo e o turismo rural, fiscalizar e coibir ações predatórias como caça, pesca excessiva, extração de recursos naturais, poluição ambiental e introdução desordenada de espécies exóticas na região.
Declaração de Significância
O Parque Nacional de Ilha Grande abrange uma das áreas mais importantes do Brasil em termos ecológicos, pois protege ecossistemas que hoje são raros e bastante degradados no país e no mundo. Trata-se dos remanescentes de Floresta Estacional Semidecidual e das várzeas (Formação Pioneira de Influência Flúvio-Lacruste),sendo a única unidade de conservação a proteger este diversificado ecossistema. Além disto, o Parque protege o ultimo trecho do rio Paraná livre de barragens no Brasil. Por estes motivos o PNIG é reconhecido internacionalmente como uma área núcleo da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica do Programa MaB da UNESCO. O Parque protege áreas utilizadas por aves migratórias e espécies raras, endêmicas e ameaçadas de extinção da flora e da fauna.
Apesar do fácil acesso e da presença humana antiga na região, a diversidade de espécies é grande, mas pouco estudada pela ciência. Por exemplo, somente em relação à vegetação, os estudos que embasaram o plano de manejo do Parque nacional de Ilha Grande resultaram em, pelo menos, quatro novas ocorrências de plantas para o Estado do Paraná, uma das quais pode ser uma nova espécie.
Quanto à fauna, foram avistadas na região oito espécies de aves que ainda não tinham sido registradas no Paraná e quatro não citadas para o Mato Grosso do Sul.
Foram registradas 84 espécies ameaçadas de extinção vivendo no Parque e no seu entorno: 13 mamíferos, 56 aves, 5 peixes e 10 plantas. Dentre os mamíferos o PNIG protege as populações atuais mais austrais do Cervo-do-Pantanal.
O Parque Nacional de Ilha Grande é um importante componente dos corredores ecológicos, também conhecidos como corredores de biodiversidade ou corredores da fauna do rio Paraná, em especial para auxiliar na preservação de espécies como a onça-pintada, que necessita de grandes territórios para sobreviver e depende destes ambientes protegidos para abrigo e obtenção de alimento. Estes corredores ultrapassam fronteiras internacionais e conectam áreas protegidas da Argentina e Paraguai às áreas protegidas brasileiras.
Diversos sítios arqueológicos são protegidos pelo Parque Nacional de Ilha Grande, dos quais, atualmente, 70 estão registrados. Esses sítios contam a historia dos povos indígenas que viveram nesta região e de suas relações com os espanhóis no primeiro século pós-descobrimento do Brasil.
Objetivos do Parque:
- Preservar restaurar os ecossistemas naturais – Floresta Estacional Semidecidual e Formação Pioneira com Influência Flúvio-Lacustre.
- Conservar espécies da flora rupícola (Paredão das araras).
- Proteger espécies da fauna endêmica, raras e/ou ameaçadas de extinção nos âmbitos regional e nacional.
- Proteger espécies da flora consideradas raras e ameaçadas de extinção nos âmbitos regional e nacional.
- Proteger sítios de reprodução, forrageamento e repouso de aves migratórias situados nos bancos de areia e nas ilhas existentes nos trechos do rio Paraná, entre a foz do rio Ivaí e Amambaí, ao norte, e o reservatório de Itaipu e foz do rio Piquiri, ao sul.
- Contribuir para a conservação das comunidades ictíicas existentes nos rios e lagos da região.
- Proteger paisagens de beleza cênica notável, tais como as lagoas e meandros, áreas de várzea situadas no interior das ilhas e no continente.
- Proteger os sítios arqueológicos localizados no Parque Nacional de Ilha Grande.
- Proporcionar os meios e incentivos para implementar as atividades de pesquisa científica e monitoramento ambiental.
- Desenvolver atividades de educação ambiental.
- Favorecer a pratica das atividades de turismo ecológico e de recreação em contato com a natureza.
- Incentivar o desenvolvimento regional integrado através do aproveitamento de atividades recreativas, turismo ecológico e praticas de conservação.
- Proporcionar a integração das unidades de conservação de uso sustentável (Áreas de Proteção Ambiental – APA – Federal e Municipal) e a de proteção integral (Parque Estadual) contíguas ao Parque Nacional de Ilha Grande, de modo a exercitar o mosaico formado pela conectividade das áreas, ressaltando-se a importância do Parque como área nuclear, de maior grau de proteção da biodiversidade.
- Contribuir para o desenvolvimento regional, difundindo e incentivando o uso econômico ecologicamente sustentável da biodiversidade local e valorizando a base histórico-cultural da região.
Anexos: Plano de Manejo do Parque Nacional de Ilha Grande
1. Capa do Resumo Executivo
2. Resumo Executivo
3. Mapa do Resumo Executivo
4. Capas dos Encartes 1, 2, 3 e 4
5. Autoria e Créditos
6. Introdução
7. Encarte 1
8. Encarte 2
9. Encarte 3
9.1. Mapa de Focos de Calor
9.2. Anexo do Encarte 3
9.3. Mapa de Estradas, Caminhos e Acessos
10. Encarte 4
10.1. Anexo do Encarte 4
11. Capa dos Mapas
12. Zoneamento
13. Zoneamento Ambiental |