| As APAs Intermunicipais estão situadas na região noroeste do Estado do Paraná, junto ao rio Paraná, divisa natural com o Estado do Mato Grosso do Sul e da República do Paraguai. É constituída pelo arquipélago de Ilha Grande, pelos varjões do rio Paraná e áreas altas do entorno de terras continentais Abrange parte do território dos municípios componentes do CORIPA – Consórcio Intermunicipal para Conservação do Remanescente do Rio Paraná e Áreas de Influência, constituída pelos municípios de Guaíra, Terra Roxa, Altônia, São Jorge do Patrocínio, Alto Paraíso e Icaraíma. O município de Esperança Nova não possui APA e o município de Xambrê está na APA da Bacia do Rio Xambrê.
A região esta situada entre as coordenadas geográficas 22º00´e 24º30´ de latitude sul, e 53º30´e 54º30´de longitude oeste.A superfície total das APA´s é de 2.002,56Km2.
HISTÓRICO DA PROTEÇÃO AMBIENTAL DAS APA´s
As ilhas várzeas do rio Paraná
As APA´s de Ilha Grande são constituídas por um complexo fluvial de aproximadamente 157 ilhas e, ainda de várzeas sob influência da dinâmica hidrológica do rio Paraná e afluentes diretos, ou seja, pela periodicidade entre as fases de cheia e de estiagem do rio, assim como pelos constantes processos de erosão hídrica associados aos de deposição de sedimentos transportados pelo rio. Toda esta dinâmica determinou, ao longo dos tempos, a formação de um ambiente diverso, com dezenas de ilhas grandes e pequenas, lagoas e varjões. Um ambiente propício para o abrigo e conservação de uma grande variedade de espécies da fauna e da flora.
Esta planície de inundação do rio Paraná, conhecida como “Varjão do rio Paraná”, iniciava originalmente na barragem de Jupiá, junto aos rios Tietê e Sucuriú, estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul, e seguia até a foz do rio Piquiri, em Guaíra, outrora local das Sete Quedas, hoje reservatório da UH Itaipu. Atualmente, o único trecho do rio Paraná livre de reservatórios é o segmento entre a UHE Porto Primavera (MSISP) até o reservatório da UH Itaipu.
Aproveitamento Hidrelétrico
A importância para fins de aproveitamento hidrelétrico determinou a instalação de inúmeras barragens no rio Paraná e afluentes importantes, como o rio Paranapanema. A recente construção e operação do rio Usina Hidrelétrica (UH) Porto Primavera praticamente reduziu em 40% o ecossistema representado pelos “Varjões do rio Paraná”, determinando que o segmento representado pelo arquipélago de Ilha Grande seja o último trecho livre de barragens do rio Paraná em território brasileiro.
A UH de Ilha Grande
A construção da UH Itaipu nos anos 80, determinou a inundação das Sete Quedas e a extinção do Parque Nacional destinado a sua proteção. No mesmo período, foram iniciados os procedimentos para a construção da UH de Ilha Grande, que faria desaparecer o conjunto de Ilhas e Várzeas do único trecho remanescente sem barragens do rio Paraná. Posteriormente, este projeto foi paralisado e suspensa a sua construção. Todavia, objetivando posterior indenização pela instalação da UH Ilha Grande aos posseiros da área, o INCRA iniciou um processo de regularização fundiária e titulação da área aos ilhéus que mantinham posses na região insular. Com a suspensão do projeto da UH Ilha Grande, a situação ficou confusa, com uma parte dos ilhéus sendo titulada e indenizada pela ELETROSUL, outra parte sendo titulada e transferida para outras regiões pelo próprio INCRA, e ainda áreas que não chegaram a ser tituladas ou portanto em situação irregular.
Estação Ecológica de Ilha Grande
As porções centrais das Ilhas Grande e Bandeirantes, constituídas por várzeas, áreas úmidas e lagoas, não incluída no processo de titulação efetuado em 1983 pelo INCRA, foi transformada em Estação Ecológica Estadual em 1994, compreendendo uma superfície total de 28.368ha. Com a criação do Parque Nacional de Ilha Grande, em 1997, a Estação Ecológica transformou-se em Zona Intangível do Parque.
O CORIPA e as APA´s Municipais
Já nos anos 90, através da atuação do Ministério Público Estadual, aumentam as pressões aos municípios no sentido de adotarem posições ativas em relação a proteção ambiental das áreas. Simultaneamente, através da Lei do ICMS Ecológico, os municípios são estimulados a adotarem unidades de conservação no seu âmbito territorial.
Desta forma, são criadas as APA´s municipais de Vila Alta, São Jorge do Patrocínio e Altônia incidindo sobre as ilhas e várzeas do rio Paraná e ecossistemas associados. Estes municípios, buscando integrar seus esforços de conservação, se organizaram em consórcio (CORIPA) e, posteriormente, outros municípios foram se agregando.
Corredor de Biodiversidade do rio Paraná
A concepção do “Corredor de Biodiversidade” do rio Paraná foi desenvolvida pela SEMA– PR/IAP em 1997, fundamentando-se no princípio de que o fluxo da biodiversidade não se restringe somente a áreas contínuas de floresta ou de ambiente natural protegido, mas abrangem também os ecossistemas aquáticos. O “Corredor de Biodiversidade” é importante para integrar o conjuntos das Unidades de Conservação existentes ao longo do rio Paraná, através dos remanescentes existentes ou áreas de relevante interesse ambiental.
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